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Jéssica O.
01 January 2013 @ 09:25 pm
Com o último dia de 2012, encerrei oficialmente o Desafio Literário de 2012.


Foi um desafio, realmente, mas foi gostoso perceber que consegui cumprir o tema de cada mês e cada livro provou ser um acréscimo valioso à minha bagagem cultural.

Janeiro começou gostoso, com sabor de romance e fantasia, com o tema "Literatura Gastronômica" em que me deliciei com o realismo fantástico de "Como água para chocolate" (Laura Esquivel). Fevereiro trazia como tema leituras cujo título tivesse nome próprio. A princípio optei por "Emma" (Jane Austen), mas empaquei na leitura e era difícil andar com o meu volume enorme, com a obra completa da autora, para ler por aí. Então troquei por "Hamlet" (William Shakespeare), o que se provou ainda mais proveitoso. Março foi um dos meses em que me excedi e li DOIS livros para o desafio, cujo tema era "Serial Killer": "Os homens que não amavam as mulheres" (Stieg Larssen) e "O Silêncio dos Inocentes" (Thomas Harris) - a fascinação pelo tema acabou contribuindo para o entusiasmo.

Abril trouxe um dos verdadeiros desafios. O seu tema era "Autores Orientais" e por falta de opção e conhecimento, escolhi "O Paciente Inglês" (Michael Ondaatje), pois não encontrei e-book e não encontrei em lojas físicas "Não me abandones jamais" (Kazuo Ishiguro), que tanto quero ler. Tive alguns problemas com a leitura feita mais por causa do estilo narrativo do autor, e só no final eu consegui me interessar verdadeiramente pelos personagens. Em compensação, em maio consegui ler um livro que me interessava há anos: "Agosto" (Rubem Fonseca), no qual o tema "Fatos Históricos", que é algo que sempre me interessa. O primeiro semestre de 2012 foi encerrada com a leitura de "A Máquina do Tempo" (H. G. Wells), que tinha como tema "Viagem no Tempo". Whovian que sou, adoro isso!

Julho foi regado a cravo e canela, com a leitura mais que aproveitada de "Gabriela, Cravo e Canela" (Jorge Amado) em que venci um preconceito literário e me apaixonei pela prosa poética do autor baiano. Agosto também foi um mês em que venci um certo preconceito e li uma obra que me causa curiosidade e estranheza ao mesmo tempo: "O Iluminado" (Stephen King) me prendeu do começo ao fim e acabei me interessando muito em ler mais coisas do autor. E Setembro foi o mês mais fácil, pois estava na minha zona de conforto com o tema "Mitologia Universal", em que a dificuldade foi justamente me decidir entre as várias opções que tive. A leitura escolhida era "O incêndio de Troia" (Marion Zimmer Bradley), mas como não estava com muita paciência para e-book e não pude comprar o volume, optei por "O Herói Perdido" (Rick Riordan), também aproveitei e li a sua continuação: "O Filho de Netuno", mas não tive tempo de resenhar.

O último trimestre começou com o tema "Graphic Novel", mas por ser em e-book, optei pela leitura de "Sinal e Ruído" (Neil Gaiman). Também li "A  Comédia Trágica ou a Tragédia Cômica de Mr. Punch" do mesmo autor, mas por falta de tempo só resenhei o primeiro. Novembro me trouxe mais uma agradável surpresa ao conhecer uma literatura (e um autor) que me eram desconhecidos e que escolhi totalmente no escuro. A leitura escolhida para o tema ""Escritor Africano" foi "Terra Sonâmbula" (Mia Couto). Mas por ser em e-book e eu estar um pouco enrolada com o trabalho, optei por uma leitura mais curta do mesmo autor: "A Chuva Pasmada" que, assim como "Como água para chocolate" no mês de janeiro, me ganhou pela vivacidade do realismo fantástico, que tanto me conquistou ao ler Garcia Marques pela primeira vez. E encerrei, aos 45 do 2º tempo a leitura do mês de Dezembro, cujo tema era "Poesia", com "Morte e Vida Severina" (João Cabral de Melo Neto), que me foi um grande desafio devido a minha dificuldade com o linguajar poético, mas que foi proveitosa com todo o louvor.

E é isso.

Foi um prazer e uma alegria enorme ter concluído este desafio, que me trouxe tantas experiências literárias interessantes. Alguns livros e autores já entraram para o meu rol de favoritos e com certeza estou participando do desafio de 2013.

Agora uma novidade: estou me mudando. Fiquei muitos anos aqui no Livejournal, mas ultimamente o espaço já não me tem sido tão prático quanto antes e tenha uma ideia ou outra pra movimentar o blog. Por isso, a partir de agora, vocês poderão me encontrar no endereço: http://soliloquioadois.blogspot.com.br/ . Por enquanto não tenho nada postado, mas em breve terei umas resenhas, principalmente as do DL 2013.

Até mais e obrigada pelos peixes!
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Jéssica O.

Sinopse: "Morte e Vida Severina e Outros Poemas Para Vozes" reúne quatro dos mais importantes poemas de João Cabral de Melo Neto, constituindo uma espécie de tetralogia de sua transfiguração poética do universo pernambucano. Além do auto de natal que dá título ao livro, incluem-se na coletânea os poemas "Dois Parlamentos", "O Rio e Auto do frade", todos grandes momentos na obra de um dos maiores poetas brasileiros. (Fonte: Saraiva)


O último tema para o Desafio Literário de 2012 (Poesia) foi e não foi fácil. Foi fácil pois já sabia qual livro escolheria, mas foi difícil porque (confesso) não possuo uma sensibilidade poética apurada - na época da faculdade eu era um pouco melhor pois estava estudando aqueles temas. Mas ler assim, por vontade própria, é sempre mais complicado. Porque poesia é muito do momento em que você lê sente s sensações que o uso das palavras provoca. E sem estar aberto a estas possibilidades... é realmente complicado, principalmente por não ser uma leitura rápida e de fácil compreensão.

Aproveitei para ler "Morte e Vida Severina", que estava na minha lista de leituras há anos. A edição que li também possui outros poemas longos de João Cabral de Melo Neto, mas acredito que o poema homônimo à edição, neste momento, merece destaque nesta resenha, principalmente por causa do momento em que foi lido.

Totalmente sem intenção, escolhi para dezembro um auto natalino, que a princípio parecia tão pessimista e quase cínico, acompanhando a viagem de Severino, saído do sertão, até a capital Recife. Ao longo do caminho encontra pessoas com quem dialoga e outras que acabam se tornando o coro para suas falas, e a temática da morte está sempre presente, e "que é a morte de que se morre/ de velhice antes dos trinta,/ de emboscada antes dos vinte,/ de fome um pouco por dia".

A oralidade ajuda a manter esta identificação entre o leitor e o protagonista deste auto natalino, em que quase se escuta as vozes dialogando e acompanhando Severino ao longo de sua epopeia (e por que não?). A musicalidade encontrada em todos os poemas desta edição é marcante, principalmente porque imita muito o falar nordestino, que em si já é muito musical. 

Ainda quero voltar e reler com mais calma, principalmente os demais poemas, que possuem uma clara influência dos autos medievais.

Lembro muito vagamente da adaptação musical feita pela Globo em 1981 e (oh surpresa!), encontrei um link com o musical completo:




E é isso, pessoas! Encerro o Desafio Literário de 2012 cumprindo todos os temas. Se não cumpri as leituras planejadas no final de 2011, foi por vários motivos - entre eles a dificuldade em encaixar uma leitura mais complexa com uma rotina de trabalho cansativa (principalmente pra quem trabalha com textos o tempo inteiro).

Já estou preparando a minha lista para o Desafio de 2013. E algumas novidades que esta semana mesmo divido com vocês. Feliz ano novo, amigës!
 
 
Humor: tiredtired
 
 
Jéssica O.
25 November 2012 @ 11:49 am


Sinopse: De repente, numa aldeia africana, a chuva não cai, fica suspensa, «pasmada», diz um rapazinho da aldeia. O rio também está a secar. Será culpa de uma fábrica instalada perto dali? Será magia? Que papel têm aqui os velhos mitos e lendas? Os mandadores das nuvens conseguirão resolver o problema? (Fonte: Skoob)


O tema do mês de novembro, que achei que fosse ser desafiador ao extremo, no final das contas foi mais tranquilo de cumprir do que eu esperava. Optei por ler Mia Couto, um autor de Moçambique muito elogiado. Embora o livro que eu tivesse escolhido no meu planejamento fosse o "Terra Sonâmbula", acabei lendo "A Chuva Pasmada" por ser mais curto e mais fácil de ler em ebook.

Mas foi uma leitura agradável e surpreendente sim, e vou dizer o motivo.

O texto de Mia Couto tem muito do realismo fantástico de Garcia Marques. Assim como o autor colombiano, Mia Couto traz o que é bem característico de sua terra, daquilo que conhece tão bem, e traz pro seu texto com uma vivacidade enorme. O texto é pura prosa poética, somada à uma sensibilidade tamanha em mostrar a situação daquelas pessoas confusas em relação ao problema da chuva, lidando também com questões pessoais e familiares de modo tão singelo e único. Dá vontade de entrar na história e abraçar os personagens, de tão reais e interessantes que são, cada qual com seus dramas próprios, visto pelo protagonista-narrador observando tudo com seu olhar de criança.

Só me arrependo de ter lido em ebook e ter perdido as ilustrações de Danuta Wojciechowska.

Recomendado ao extremo, e quero muito ler mais coisas do autor.

E a resenha está pobrinha assim por eu não saber o que dizer sobre uma leitura tão bom, então segue o trecho final do livro:


Ainda hoje meus passos se arrastam nessa travessia do rio, olhar perdido na outra margem. Meus passos se vão tornando líquidos, perdendo matéria, diluindo-se no azul da correnteza Assim se cumpre, sem mesmo eu saber, a intenção de meu velho avô: ele queria o rio sobrando da terra, vogando em nosso peito, trazendo diante de nós as nossas vidas de antes de nós. Um rio assim, feito só para existir, sem outra finalidade que riachar, sagradeando o nosso lugar.
      Como ele sempre dissera: o rio e o coração, o que os une? O rio nunca está feito, como não está o coração. Ambos são sempre nascentes, sempre nascendo. Ou como euhoje escrevo milagre é o rio não findar mais. Milagre é o coração começar sempre no peito de outra vida.



 
 
Humor: crappycrappy
Ainulindalë: skyfall - adele
 
 
Jéssica O.

Sinopse: Um diretor de cinema descobre que é doente em fase terminal. Isolado em seu apartamento, ele dedica os últimos dias de sua vida para escrever o roteiro de seu derradeiro filme. (Fonte: Universo HQ)


Mais do que isso não é possível dizer sem estragar a leitura, Como em um comentário no início do livro, Sinal e Ruído é mais que uma HQ ou uma Graphic Novel, pois transcende (e muito) a abordagem que costumamos ver.

O texto de Gaiman é carregado de melancolia e de certa conformidade com a ideia da morte, pois a cada momento as pessoas vivenciam o seu próprio apocalipse, e ainda assim o mundo prossegue. Já a arte de Dave McKean intensifica o sentimento do protagonista, em que às vezes ele tende mais a mexer com a nossa percepção e provocar sensações durante a leitura. São fragmentos de sentimentos, aparentemente caótico, como forma de representar o ruído proposto.

É difícil apreender tudo o que se pode encontrar nesta Graphic Novel durante uma única leitura. É material para ser lido e relido e pensado muitas vezes ainda antes de se ter uma análise.

A vergonha toda é ter demorado tanto a ler tal obra, pois tinha comprado há meses e deixei de lado. Shame on me. Vou tentar ler assim que possível Mr. Punch, que está me lançando olhares sentidos aqui do lado.


 
 
Humor: tiredtired
Ainulindalë: don't speak - no doubt
 
 
Jéssica O.

Sinopse: Depois de salvar o Olimpo do maligno titã Cronos, Percy Jackson e seus amigos trabalharam duro para reconstruir seu mais querido refúgio, o Acampamento Meio-Sangue. É lá que a próxima geração de semideuses terá de se preparar para enfrentar uma nova e aterrorizante profecia. Uma mensagem que pode se referir a qualquer um deles:
Sete meios-sangues responderão ao chamado.
Em tempestade ou fogo, o mundo terá acabado.
Um juramento a manter com um alento final,
E inimigos com armas às Portas da Morte afinal.
Os campistas seguirão firmes na inevitável jornada, mas, para sobreviver, precisarão contar com a ajuda de alguns heróis, digamos, um pouco mais experientes — semideuses dos quais todos já ouvimos falar… e muito.
Novos personagens e alguns velhos conhecidos do Acampamento Meio-Sangue dividem espaço neste primeiro livro da saga OS HERÓIS DO OLIMPO, que nos leva de volta ao universo da série Percy Jackson e os Olimpianos — agora, com ainda mais aventuras, humor e mistério, em uma trama que vai deixar qualquer mortal ansioso pelos próximos volumes. 
(Fonte: Os Heróis do Olimpo)

O Herói Perdido começa logo depois da saga Percy Jackson e os Olimpianos, aproveitando o gancho no final de O Último Olimpiano, mas mostrando tudo a partir da perspectiva de um novo personagem. Jason acorda em um ônibus escolar no meio do nada sem lembrar de coisa alguma. Não sabe quem é, o que parece estranho ao amigo Leo e à suposta namorada Piper, que parecem conhecê-lo bem. E é quando coisas estranhas acontecem aos três, que são levados ao já nosso conhecido Acampamento Meio-Sangue.

Mas como parece ser típico do Riordan, nós somos jogados no meio de uma situação em andamento, sem ter muita ideia do que está acontecendo, e tentando pescar qualquer informação que seja para nos situar.

Jason é basicamente um Jason Bourne dos deuses (demorei bastante pra conseguir fazer o trocadilho, me deixem!). Não sabe quem é, de onde veio, mas aos poucos demonstra poderes extensos e quem podem ser perigosos. Leo e Piper não ficam atrás. Quando chegam ao Acampamento Meio-Sangue também são jogados nesse turbilhão de serem filhos de deuses e a surpresa que sempre envolve quando o seu progenitor divino resolve reclamá-lo. Para Leo a coisa vem toda acompanhada de uma aura agourenta e Piper surpreende por conta de sua origem - e é uma agradável surpresa ver como ela quebra um possível clichê.

Contudo, isso é só o começo. Algo estranho está em curso, pois os deuses do Olimpo têm se recusado a falar com os filhos semideuses e Percy Jackson está desaparecido, o que tem causado um clima mais que tenso no Acampamento.

Depois que Rachel, o novo oráculo, tem mais uma de suas profecias, Jason, Leo e Piper saem em uma jornada cheia de revelações, reencontro com personagens já conhecidos e uma e outra coisinha que eu não estava esperando ver.

Eu sei, a resenha é vaga, mas dar mais detalhes da estória seria estragar boa parte das surpresas que estão nele, sem contar que muitas coisas fazem referência à série Percy Jackson e Os Olimpianos. O que posso afirmar com certeza é que o texto de Riordan manteve a coerência da série anterior e ainda conseguiu trazer coisas novas à esta nova série. Confesso que fui surpreendida em vários momentos e quando percebi quem seria o antagonista da vez dei gritinhos de empolgação. Gostei dos personagens novos (principalmente o Leo) e adorei o rumo dado à série.

E me empolguei tanto que na mesma semana devorei O Filho de Netuno (que logo terá resenha aqui), segundo livro da série, e já estou morrendo de vontade de ler A Marca de Atena, o livro seguinte, que está para ser lançado.