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Jéssica O.

Sinopse: Numa vila italiana abandonada, durante os últimos momentos da Segunda Guerra, quatro pessoas se encontram. O autor nos apresenta uma a uma. Vamos conhecendo suas feiçoes, suas origens e, sutilmente, o autor vai nos abrindo seus segredos, levando-nos através de suas memórias como através dos corredores de uma casa secreta. Cena após cena vamos reconstruindo o mosaico das quatro histórias, e acompanhando o encontro delas no cotidiano da Villa San Girolamo. (Fonte: Saraiva)


Até agora, o mês de abril foi o mais desafiador (para mim) neste desafio Literário, cujo tema era autores orientais, Não consegui fazer a leitura pretendida por não ter o livro (na época tava sem dinheiro para comprar) e o único ebook que encontrei estava em espanhol. Então "Não me abandone jamais" vai ficar para outro momento, embora esteja morrendo para ler essa história.

Fui dar uma olhada na lista de sugestões para o mês de abril e me deparei com "O paciente inglês" do autor cingalês Michael Ondaatje, Como era barato e fácil de achar em sebo, acabei escolhendo esse. E como não fazia a menor ideia de como era a história, por nunca ter visto o filme (tá na listinha de coisas a serem vistas), apenas somou mais um motivo.

E até agora não sei o que pensar do livro.

O começo foi difícil. Achei a narrativa arrastada e confusa e durante mais da metade do livro eu não consegui estabelecer um vínculo emocional com nenhum personagem. As coisas pareciam tão vagas e surreais que em vários momentos eu não sabia o que eu estava lendo, Prefiro acreditar que essa seja uma abordagem estilística do autor, uma forma de mostrar o clima sentido no finzinho de 2ª Guerra Mundial: muita incerteza e paranoia, as pessoas ainda em estado de choque permanente, tentando lidar com perdas (físicas e emocionais). E isso fica bem óbvio ao juntar quatro personagens tão díspares em um mesmo ambiente, totalmente alheio ao resto da Europa naquele final de guerra. Pessoas tentando de uma maneira ou de outra expurgar os seus próprios demônios. Aos poucos vamos conhecendo a enfermeira Hana, que assume como uma espécie de penitência a tarefa de cuidar do "paciente inglês", um homem praticamente carbonizado, que ninguém conhece, mas que aos poucos vai deixando escapar a sua história. O ladrão Caravaggio, viciado em morfina e que, à sua maneira, também foi traumatizado pela guerra. E por último o indiano Kip, um sapador (desarma bombas) treinado pelo exército inglês.

Em alguns momentos me lembrou "A Insustentável Leveza do Ser" pelo tom intimista, mas somado ao típico jeito inglês de deixar as coisas no ar, subentendidas. Mas como mencionei, eu não consegui ser empática com esses personagens e não sei explicar o motivo. Talvez não fosse o momento "certo" para esse leitura.

Mas há um momento na narrativa que preciso destacar e que está praticamente no final do livro: o descontrole de Kip ao saber das bombas em Hiroshima e Nagasaki. Foi um anti-clímax tão brutal porque, mesmo ao se falar da guerra e das suas implicações, a história toda ainda era muito romântica, é ter esse choque foi algo totalmente inesperado. Não se sabe exatamente o que aconteceu com os demais personagens, as coisas ficam todas mais vagas do que no começo da narrativa, mas fica aquele ar de incredulidade diante do questionamento de Kip: que os americanos lançaram as bombas em um país de pessoas que não eram brancas. Que eles não fariam isso com um país de pessoas brancas.

E toda aquele sentimento de irrealidade e indignação permanece, durante muito tempo, e acaba obscurecendo todo o resto. 

Como disse, ainda não sei se gostei ou não desse livro. Vou esperar alguns anos, reler, e tentar aproveitar a leitura sem muitas pretensões.




 
 
Jéssica O.

Sinopse: Cinco mulheres são brutalmente assassinadas em diferentes localidades dos Estados Unidos. Para chegar até o sanguinário assassino, uma jovem treinada pelo FBI entrevista o Dr. Hannibal Lecter, um brilhante psiquiatra, cuja mente está perigosamente voltada para o crime. Ao seguir as pistas apontadas por Lecter, a jovem se vê envolvida numa teia mortífera e surpreendente. Uma novela policial arrepiante, escrita pelo célebre autor de Domingo Negro. (Fonte: Americanas)


O Silêncio dos Inocentes foi a minha primeira escolha para o tema do mês de março para o Desafio Literário: Serial Killers. Como comecei a leitura em ebook, acabei demorando mais que o esperado e terminei a leitura reserva (Os homens que não amavam as mulheres) antes - cuja resenha já está aqui no blog. Mas a sempre fofa e amada Dani25 me emprestou o volume dela, então consegui terminar a leitura rapidinho. Tks, Danizoca!

E o que dizer do livro? É fantástico, óbvio!

Como vi o filme há muitos (e muitos) anos, não lembrava de muitos detalhes - e nem tenho certeza se eram como no livro, de qualquer modo. Mas desde o início da narrativa, tanto no livro quanto no filme, uma coisa é certa: Hannibal Lecter rouba toda a atenção e te cativa de uma forma totalmente estranha. Apesar de ser (supostamente) a protagonista da história, Clarice Starling não possui o mesmo carisma que no filme, tanto que as cenas somente com a personagem me deixavam até mesmo entediada. O curioso é que a personagem só se torna interessante através das conversas com o Dr. Lecter, quando fica subentendido que talvez, bem lá no fundo, eles tenham algo em comum.

Os assassinatos em si são outro fator que te prendem na narrativa: o modo como aconteceram, o motivo... é tudo extremamente doentio e chocante, principalmente porque o fato do assassino desejar estar (literalmente) na pele das vítimas mostra o quanto o seu problema em relação à própria personalidade é trágica e bizarra, associada com um desejo extremo de se transformar: o que é retratado através da mariposa que o assassino insere na garganta das vítimas.

Gostei muito mesmo do livro e fiquei muito ansiosa para ler os demais da série, acompanhar um pouco mais o Dr. Lecter.

 
 
Humor: worriedworried
Ainulindalë: rumour has it/someone like you - glee cast
 
 
Jéssica O.
19 March 2012 @ 10:16 pm



Voltando à velha forma e aos #musicmonday semanais! E para comemorar o retorno triunfal (*cof*cof*) dos posts, começo com um album que tenho ouvido obcecadamente desde a última semana: Ceremonials, da banda indie pop Florence and the Machine. Conhecia uma coisinha ou outra da banda, e gostava do que ouvia, mas só agora parei para ouvir com calma e apreciar. E é inegavelmente bom!

Segue o tracklist de Ceremonials:

1. "Only If for a Night"
2. "Shake It Out"
3. "What the Water Gave Me"
4. "Never Let Me Go"  
5. "Breaking Down"  
6. "Lover to Lover" 
7. "No Light, No Light"
8. "Seven Devils"  
9. "Heartlines" 
10. "Spectrum"  
11. "All This and Heaven Too"
12. "Leave My Body"  



Menção honrosa: Never let me go, No light, No light, Seven Devils, Heartlines e Leave my body. Sim, isso é quase metade do album. E se fosse escolher somente uma, seria Seven Devil por causa do trailer fantástico da segunda temporada de Game of Thrones e que tem essa música como pano de fundo - sempre fico arrepiada com essa música:





 
 
Terra Média: westeros
Humor: tiredtired
Ainulindalë: seven devils - florence and the machine
 
 
Jéssica O.


Sinopse: "Os Homens que não Amavam as Mulheres" é um enigma a portas fechadas - passa-se na circunvizinhança de uma ilha. Em 1966, Harriet Vanger, jovem herdeira de um império industrial, some sem deixar vestígios. No dia de seu desaparecimento, fechara-se o acesso à ilha onde ela e diversos membros de sua extensa família se encontravam. Desde então, a cada ano, Henrik Vanger, o velho patriarca do clã, recebe uma flor emoldurada - o mesmo presente que Harriet lhe dava, até desaparecer. Ou ser morta. Pois Henrik está convencido de que ela foi assassinada. 
Quase quarenta anos depois o industrial contrata o jornalista Mikael Blomkvist para conduzir uma investigação particular. Mikael, que acabara de ser condenado por difamação contra o financista Wennerström, preocupa-se com a crise de credibilidade que atinge sua revista, a Millennium. Henrik lhe oferece proteção para a Millennium e provas contra Wennerström, se o jornalista consentir em investigar o assassinato de Harriet. Mas as inquirições de Mikael não são bem-vindas pela família Vanger. Muitos querem vê-lo pelas costas. Ou mesmo morto. Com o auxílio de Lisbeth Salander, que conta com uma mente infatigável para a busca de dados - de preferência, os mais sórdidos -, ele logo percebe que a trilha de segredos e perversidades do clã industrial recua até muito antes do desaparecimento ou morte de Harriet. E segue até muito depois... até um momento presente, desconfortavelmente presente. (Fonte: Saraiva)



Escolhi dois livros para o tema de março do Desafio Literário: O silêncio dos inocentes e Os homens que não amavam as mulheres. O primeiro é a leitura "oficial" por assim dizer, aquela que escolhi no meu cronograma. Mas como estou lendo em ebook, demoro um pouco mais que o previsto e acabei começando, um pouco depois, a leitura do último citado. Não estou violando as regras do desafio, eu acho, pois pretendo terminar O silêncio dos inocentes. Só quero estabelecer que esta resenha é do meu livro reserva e cujo tema do mês de março é sobre Serial Killers. Assumo que gosto de ler sobre o assunto, embora não tenha lido tanto a respeito. Como já tinha comprado a trilogia Millennium há algum tempo, resolvi perguntar se o primeiro livro era válido para o desafio. E é - e de uma maneira chocante.

A trama, no começo, nos mostra Mikael Blomkvist, jornalista sueco, passando por um problema profissional quando é condenado por difamação ao expor os podres de um empresário famoso. Com a situação toda problemática, ele é contatado por um advogado que lhe oferece um trabalho, que só ao visitar um lugarzinho no norte da Suécia e conhecer Henrik Vanger, o leva a descobrir que trabalho seria esse: investigar o desaparecimento da sobrinha-neta de Henrik, Harriet Vanger, que acontecera na década de 60.

Ao mesmo tempo, somos apresentados à Lisbeth Salander, hacker que trabalha como freelancer para uma empresa de segurança e que havia investigado Mikael para Henrik Vanger, antes que o último contratasse os serviços do jornalista. Também conhecemos a situação conturbada de Lisbeth, sob tutela de um advogado por ter, supostamente, uma doença mental e dificuldades em se relacionar socialmente.

As duas tramas vão se desenrolando de maneiras distintas e perturbadoras. Mikael começa a descobrir o quão absurdas são as relações na tradicional família Vanger, conhecendo segredos e podres que, no mínimo, causariam um escândalo devastador. Lisbeth, por outro lado, passa por situações que são chocantes ao extremo. E não estou sendo exagerada em dizer que tenho imagens mentais muito explícitas e horrendas em relação ao que ela passou nas mãos do seu tutor - e que ela, com métodos pouco ortodoxos, conseguiu contornar.

Mas é ao chegar a um pista nova e completamente surpreendente é que Mikael percebe que o desaparecimento de Harriet pode estar relacionado a uma série de assassinatos de mulheres iniciada na década de 40 e que prosseguiram por muito tempo - até um tempo assustadoramente recente. As pistas relacionavam ao método da morte dessas mulheres à passagens do livro de Levítico da bíblia, que falavam basicamente sobre punição de pecados e purificação através de sacrifício. É neste ponto que Mikael solicita a seus empregadores a ajuda de um assistente para prosseguir na pesquisa, quando então descobre que havia sido minuciosamente investigado por Lisbeth alguns meses antes e que ela era a pessoa ideal para ajudá-lo.

E aí sim as coisas começam a ficar interessantes.

Não vou dar spoilers sobre quem é o culpado na história toda, pois senão acaba graça. O interessante no livro é, realmente,  como a investigação se desenrola, mostrada pela perspectiva de personagens tão opostos. Com seu faro investigativo, Mikael consegue ter um lado intuitivo forte, que muitas vezes faz a diferença entre seguir uma pista ou não. E a objetividade e frieza de Lisbeth são assombrosas, em que a sua capacidade de armazenar informações e processá-las a tornam competente ao extremo. E ver como esses personagens interagem é uma delícia, principalmente por causa da dificuldade imensa que Lisbeth tem para se relacionar e confiar nas pessoas.

A história não é essencialmente focada nos assassinatos em série embora seja uma parte vital dela; mas a questão toda é, realmente, a violência extrema no tratamento às mulheres: isso está relacionado fortemente à Harriet, Lisbeth e em grande maioria das personagens femininas da narrativa, e como isso acontece de formas e situações tão distintas.

A narrativa de Larsson não possui nada de extraordinária. Não há um trabalho estilístico muito apurado - mas nem é necessário. O próprio peso da narrativa a que ele se propôs é o suficiente para ter um excelente livro, sem contar os personagens marcantes que ele criou. Lisbeth Salander entrou no meu top de personagens femininas favoritas. Como já tinha visto a versão americana do filme, o que mais me encantou no livro foi poder mergulhar mais ainda no psicológico dos personagens e entender os seus sentimentos e pensamentos diante dos fatos.

E como bônus, deixo o trailer do filme:







o vídeo estonteante da abertura do filme:





 
 
Ainulindalë: immigrant song - karen o.
 
 
Jéssica O.


Sinopse: Hamlet é uma tragédia de William Shakespeare, escrita entre 1599 e 1601. A peça, passada na Dinamarca, reconta a história de como o Príncipe Hamlet tenta vingar a morte de seu pai Hamlet, o rei, executando seu tio Cláudio, que o envenenou e em seguida tomou o trono casando-se com a mãe de Hamlet. A peça traça um mapa do curso de vida na loucura real e na loucura fingida — do sofrimento opressivo à raiva fervorosa — e explora temas como a traição, vingança, incesto, corrupção e moralidade. (Fonte: Skoob)


O desafio do mês de fevereiro era relacionado a leituras que tivessem no seu título um nome próprio. No meu planejamento a leitura do mês passado seria Emma (Jane Austen), mas me enrolei na leitura, com o meu TCC (cujo prazo final era até 29 de fevereiro), então acabei trocando de livro e optei por Hamlet, de William Shakespeare.

Hamlet era uma séria falha na minha "carreira" como leitora. Gosto de Shakespeare, embora falte muito para que eu seja minimamente conhecedora de sua obra. Mas isso não diminui a minha admiração pelas suas peças - sejam as comédias ou, como no caso de Hamlet, seus famosos dramas.

Seguindo a tradição das peças dramáticas no melhor estilo grego, a narrativa toda já nos é apresentada com os fatos em curso. Com o desenrolar da trama ficamos sabendo que Cláudio assassinou o Rei Hamlet, seu irmão, usurpando assim o trono da Dinamarca, também tomando como esposa a rainha viúva, Gertrudes. Hamlet, o filho do rei assassinado e herdeiro do trono da Dinamarca, após conversar (supostamente*) com o fantasma de seu pai e descobrir sobre seu assassinato, decidi se vingar do tio.

Mas a peça não é tão somente isso, a busca incessante por vingança. É, acima de tudo, um estudo sobre a natureza humana, com seus dramas, desejos, loucuras e suas indagações filosóficas. Ao menos foi assim que interpretei a peça.

Talvez eu tenha lido coisas demais sobre psicanálise por causa do meu TCC, mas é inevitável não notar um certo complexo de Édipo/Electra permeando os relacionamentos entre pais e filhos. Pode ser uma interpretação equivocada de minha parte, mas fiquei com a sensação de que, nos casos de Hamlet e Ofélia, o que aconteceu foi uma falta de amadurecimento do self por causa da morte prematura de seus respectivos pais. Hamlet apegou-se demasiadamente à figura da mãe, ao mesmo tempo em que a desprezava por ter se casado com o irmão de seu primeiro marido. Não sabemos os motivos que levaram Gertrudes às segundas núpcias, então julgá-la pode ser um tanto quanto precipitado. 

Já no caso de Ofélia, o que senti enquanto lia as suas cenas era que ela estava naquela fase em que garotas são extremamente dependentes da figura paterna e que, somente ao encontrarem alguém que pudesse substituir (psicanaliticamente) essa figura masculina é que poderia alcançar esse amadurecimento. O pai de Ofélia foi assassinado por Hamlet, por quem era apaixonada, mas que também estava em tal estado que não seria capaz de corresponder esse sentimento do modo como Ofélia necessitava, levando-a à loucura.

E falando em loucura, os paralelos com outra peça de Shakespeare também são inevitáveis. Neste caso, refiro-me à Rei Lear. Somente através de sua loucura Lear foi capaz de encontrar sua sensatez e perceber o quão erradas eram suas atitudes. Hamlet, por outro lado, finge-se de louco para poder disfarçar os seus planos de vingança. Assim como também há os paralelos envolvendo os relacionamentos entre pais e filhos.

E preciso destacar que minha cena favorita, sem a menor dúvida, é a famosa cena em que Hamlet está no cemitério e começa a discutir com os coveiros sobre a natureza humana. Não importa se é rei, fidalgo, ladrão ou vagabundo. No final das contas todos teremos o mesmo final:
    "Não onde ele come, mas onde é comido. Certa assembléia de vermes políticos se ocupa justamente dele. Um verme desse gênero é o verdadeiro imperador da dieta. Engordamos as criaturas, para que nos engordem, e engordamo-nos para dar de comer aos gusanos. Um rei gordo e um mendigo magro são iguanas diferentes; dois pratos, mas para a mesma mesa: eis tudo." Ato IV, cena III




    
(*) coloquei aquele supostamente ali porque, talvez devido à minha leitura corrida, fiquei com a sensação de que talvez não fosse o fantasma do pai de Hamlet, mas possivelmente algum tipo de alucinação dele - embora outros personagens tenham visto o tal fantasma. Do mesmo como o Bobo em Rei Lear, que só aparece nas cenas do protagonista e só se dirige a ele e ninguém mais, podendo ser considerado como o lado racional da psiquê. Ou talvez ou só achei que seria interessante acreditar (tolamente) na ideia de que Hamlet sofria de esquizofrenia e assassinou o tio porque acreditou que ele fosse o assassino de seu pai ao escutar vozes.

PS: eu tive uma semana cansativa e estressante por causa da entrega do meu TCC, relevem a loucura. rs
 
 
Terra Média: Dinamarca
Ainulindalë: Noldor - Blind Guardian